A mulher que revolucionou o mercado da moda

A mulher que revolucionou o mercado da moda

“Se você não está ocupado reinventando sua empresa, posso garantir que está ficando para trás.” Fujio Cho, vice-presidente da Toyota

Mudar um modelo de negócio é algo um tanto difícil. Principalmente quando se trata de uma empresa familiar. Atualizar os valores e ideias do fundador pode causar sérios conflitos internos. Por isso, a sucessão familiar é, geralmente, um processo traumático. Em 1978, uma garota italiana nos deu um exemplo de como ter coragem e lidar com a situação.

A moça, na época com 28 anos de idade, foi convocada para assumir a loja de artigos de couro da família em Milão. Mesmo sem nenhuma noção de administração, com estudos apenas na área de política e teatro, o que era polêmico para a família, ela não tinha saída e abraçou com coragem o desafio.

Para agravar a situação, ela caiu de paraquedas em uma empresa que se encontrava em crise. As vendas caiam vertiginosamente. Fundada em 1913 por seu avô, a loja havia passado por dias melhores. Chegou até a exportar produtos, mas os fortes concorrentes esconderam seu brilho quase que por completo.

Por não ser perita no ramo, não possuía conceitos já estabelecidos ou regras. Por isso, a jovem adotou a solução mais óbvia: se estava difícil permanecer no mercado de artigos de couro, por que não fabricar os produtos utilizando outros materiais?

O que para a moça parecia evidente, para a família foi um escândalo. “Por que enfrentar o avô?” “Como abandonar o couro de uma hora para outra?” “Isso é um desrespeito às tradições.” Essas foram alguns dos comentários que foram feitos acerca de sua ideia. Ela ouviu tudo em silêncio e raciocinou. Pela sua intuição, sabia que seguir a tradição em um momento como aquele seria falência na certa. Decidiu que não deixaria isso acontecer. Usou todas as técnicas que aprendeu com sua formação em política e teatro e convenceu familiares o suficiente para aprovarem seu projeto.

Em busca de um material que substituísse o couro, ela testou diversas matérias primas. Até que uma lhe chamou a atenção: o tecido utilizado nos paraquedas dos militares italianos, um tipo de náilon com aspecto de seda, que era leve e resistente ao mesmo tempo. Com esse material, produziu uma série de mochilas e bolsas de luxo.

A novidade bateu em cheio com as necessidades das consumidoras, que buscavam praticidade sem abrir mão da beleza. Partindo dessa ideia inovadora, Miuccia Prada transformou o pequeno negócio da família em uma das marcas de moda mais desejadas do mundo: a Prada.

 

(Adaptado de: “Oportunidades disfarçadas” de Carlos Domingos)

Foto: Interior de uma das lojas atuais localizada na França. (Divulgação)

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